Map of Tasmania

1 Dez

Sim, o semestre está acabando e com ele a criatividade e empolgação para posts com temas pré- estabelecidos foi se esvaindo. Mas esse não é um problemão, vai? A proposta que recebemos agora foi a de escrever sobre a situação da mulher na área que decidimos abordar em nossos blogues.

 Pensei em falar sobre o tão comentado cancelamento ( censura ou não?) da exposição da fotógrafa americana Nan Goldin, no espaço cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro. As fotos trazem atos sexuais diante de crianças nuas, uso de drogas etc. etc. Na verdade, fugiria do tema e ficaria aqui me alongando em dizer que isso foi muito mais uma decisão relacionada à imagem cultural e educativa do espaço- e da marca- do que um censura em si. E, claro, me perderia do foco principal que seria a mulher.

Bem, ai me lembrei de um clip que eu achei deveras engraçado.

Falemos sobre depilação, ou melhor, assistiremos. A conclusão fica por conta de cada um de vocês.

 A música é de Amanda Palmer e se chama Map of Tasmania

 

‘Soft and sweet and shaped like a triangle

Some girls want no shape and they shave it all

That’s so whack, it hurts with the stubble

Walking ’round and look like an eight-year-old’

 

 

 

 

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Serenada Solidão

30 Nov

5 anos se passaram desde a última vez que eles foram em seu show. Sete anos foi a lacuna entre um cd e outro, mas o álbum de estreia permanecia em suas cabeças. Ao primeiro acorde do guitarrista, a plateia se calou e quase foi às lágrimas quando ele apareceu emocionado. Para eles, tudo ali era único. A lembrança daqueles maravilhosos anos pulsava em suas cabeças. Mas luz acabou. Sem deixar as memórias se diluírem, Junio continuou, sozinho, a embalar o momento. “Resta aguardar a alvorada em mim”.

 

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Role de rir com a Talagada

24 Nov

Em 2008 devo ter visto mais de 3 vezes a peça Não contém Glúteos– Uma Comédia sobre Tudo e Sobre Nádegas, do grupo Olaria GB. Além gargalhar sempre, o programa era excelente. Como o espetáculo começava às 0h00, no Espaço Parlapatões, essa era uma ótima pedida de sexta-feira.

Agora em meados de outubro, o grupo entrou em cartaz a peça Talagada.  Nela, o humor crítico se mistura ao nonsense em diferentes sketches. E, de verdade, só alguém muito chato para não dar boas risadas.

cena da peça Talagada, no Espaço Parlapatões

Eu conversei com Adriano Pequeno, o Didi, um dos atores que integra o GB. Ai vai a entrevista.

Como surgiu o grupo Olaria GB?

O grupo começou em 2002 na ESPM , onde oito estudantes realizavam todos os anos uma peça chamada “A Cerimônia do Chá“, e resolveu tentar se profissionalizar. Havia um espetáculo no teatro Folha cujo objetivo era reunir três grupos de humor por noite para apresentar três cenas cada um, o público votava e escolhia o melhor, então a gente escreveu e ensaiou algumas cenas, apresentamos no intuito de ver se funcionava com o público em geral e para nossa alegria ficamos por sete semanas consecutivas em primeiro lugar. A partir disso que começamos a montar nossa primeira peça “Coçando o Saccro - Uma commédia renitente de caráter dúbbio“ em 2007, depois “Não Contém Glúteos – Uma comédia sobre tudo e sobre nádegas” em 2008 e este ano estamos em cartaz com a “Talagada“.

 Como é feita a escolha das cenas para cada espetáculo?

A escolha é sempre feita na nossa sala de ensaio, assistindo e selecionando quais estão mais redondas, quais precisam melhorar. No caso do nosso espetáculo em cartaz, que propõe cenas novas todas as semanas, o trabalho mais árduo está exatamente nessa seleção, porque determina a dinâmica e o ritmo da peça.

Qual a relação de vocês com o Espaço Parlapatões?

Além da amizade que criamos com o tempo, eles acreditaram em nosso trabalho, e nós estamos sempre aprendendo muito com os velhos que já tem 20 anos de estrada e são expoentes tanto no teatro alternativo, quanto no circo. Temos muito a agradecê-los.

Já tem algo em mente para um próximo espetáculo?

Um próximo espetáculo não, pois acabamos de estrear, ainda temos toda uma temporada para apresentá-lo, mas como nossa proposta atual é apresentar cenas novas a cada dia, cada apresentação acaba sendo uma peça nova.

Local: Espaço Parlapatôes
Sextas meia-noite
Ingressos: R$30,00 (inteira)

Textos: Rafael Fanganiello e Adonis Comelato
Elenco: Adonis Comelato, Adriano Pequeno, Guilherme Tomé, Paulo Candusso, Rafael Fanganiello e Ronaldo Cahin

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O novo hábito

23 Nov

Desde que comecei a trabalhar na editora, adquiri um estranho hábito que até então eu desprezava: pedir autógrafos para autores de livros. Não, eu não entendia o que levava uma pessoa a passar horas na fila para ganhar um rabisco de presente. Se o livro era bom, isso já me bastava.

Tudo começou com a vinda de Ingrid Betancourt ao Brasil. Nós tínhamos acabado de lançar  Não há silêncio que não termine, e eu tinha lido- e gostado bastante. Daí, ela veio fazer uma palestra no Masp e passou o dia na editora. Como aqui não tinha fila nem nada, achei que seria bacana ter seu autógrafo ( mas pedi com a desculpa de que seria para minha mãe, que nunca sequer o leu. Acho que não queria me render).

Quando cheguei em casa guardei o livro com todo o cuidado em minha estante. Eu já sabia que esse seria o primeiro de muitos. Se não me engano, na mesma semana o Mutarelli veio aqui para resolvermos alguns pontos do lançamento do Nada me faltará (excelente, por sinal). E, mais uma vez, lá fui eu pedir um autógrafo. Só que esse era para mim.

Logo depois tivemos a vinda de Lou Reed. Dessa vez quebraria uma nova barreira. Não seria na editora. Para o grande dia de assinaturas distribuímos senhas, desde cedo, em nossa loja no Conjunto Nacional. A  fila descia pela Alameda Santos. Um choque. Como estava dentro da loja, achei que não poderia perder aquela oportunidade de guardar mais um livro em minha estante.

o primeiro autógrafo fora da editora

E assim foi. Ricardo Piglia, Amós Oz, Claude Lanzmann, Laura Restrepo, Hector Abad, Ruy Castro, Fernando Morais, Jô Soares, Chico Mattoso, Marçal Aquino, Joe Sacco, Miguel Nicolelis, Lygia Fagundes Telles e sei lá quantos mais.

Continuo achando esse hábito um tanto estranho. Confesso que fico encabulada,  mas quando você trabalha com esses autores acaba estabelecendo uma relação mais próxima. O autógrafo se transforma. Não é apenas uma simples assinatura. Bilhetes de agradecimento e palavras de carinho fazem desses meus livros (para mim, tá?) uma relíquia.

Não tenho mais lugar em minha estante, mas os livros continuam bem guardados no meu quarto, ou em minha mesa de trabalho.

Já estou aqui pensando que o próximo será de Orhan Pamuk ,que no começo de dezembro chega por aqui. O próximo de muitos outros.

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O milagre do dia 12 de outubro

20 Out

Dia 12 de outubro. Dia da Santa padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Aparecida e  80 anos de Cristo Redentor. Um dia e tanto para os católicos, não?

No Rio de Janeiro muita gente foi acompanhar a festa do Cristo de pertinho. Uma missa aos pés da estátua foi realizada com a presença do governador e de celebridades. Em São Paulo, na cidade de Aparecida, mais de 100 mil pessoas participaram das celebrações. Para você ter uma noção, 35 mil pessoas apareceram da missa celebrada na Basílica.

Os números impressionam, mas o que chamou mais a atenção dos jornais nesse dia tão religioso- e tradicional- foi outra coisa.

As manchetes dos principais jornais destacaram as passeatas contra a corrupção  que tomou conta do país. Organizado pelo facebook, reuniu milhares de pessoas insatisfeitas com o atual panorama da política nacional, que pediam validade da Ficha Limpa e fim do voto secreto.

Não tenho nada contra religião.  Acredito que as pessoas precisam se apegar em alguma força espiritual para escapar um pouco da realidade esmagadora em que vivemos, mas preciso dizer que achei sensacional o foco não ficar somente nas comemorações da Santa ou do Cristo redentor.  O dia da Santa padroeira, a marcha dos evangélicos etc sempre reúnem um número absurdamente maior do que os de passeatas que pedem por justiça, honestidade, que falam de política…

Quem sabe um dia todos esses que vão agradecer pela ‘ graça concedida’ em suas vidas se mobilizem também para lutar pelo que tem direito? Quem sabe assim perceberão que o ‘milagre’ está em nossas mãos.

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Meu corpo, minha vida

20 Out

Dia 28 de setembro é o dia da luta pela discriminalização do aborto celebrado por feministas latinoamericanas e caribenhas,  e o tema foi a pauta da vez. Ano passado fui fazer uma matéria em meio às ações que aconteceram nesse dia, no centro da cidade. Naquele dia uma chuva absurda pegou todos de surpresa e o refúgio, ironico ou não, foi a Igreja da Sé. Lá conversei com Leticia Altman, cujo depoimento reproduzirei aqui.

Mas antes disso, acho que seria importante ressaltar que sim, sou a favor do aborto e é sabido que sua proibição não impede que as mulheres o façam. Vamos aos dados: mais de quatro milhões de mulheres latinoamericanas e caribenhas procuram todos os anos clínicas clandetinas para abortarem e seis mil dessas mulheres morrem por ano. ( fonte: Organização Mundial da Saúde)

Mais chocante que os números, é pensar que no Chile, Nicarágua, El Salvador e República Dominicana nem mesmo o aborto terapêutico – que ocorre quando a grávida corre o risco de perder a vida- é permitido. Sou a favor que não me calem, que me deixem ser dona do meu próprio corpo…


Enfim, vamos ao depoimento:

Sim, eu acredito na legalização aborto como uma questão de democracia, de direitos humanos. Defendo a ideia de que eu posso decidir sobre a gravidez, sobre o meu corpo. Se  o Estado é laico, a última coisa que quero ouvir é a igreja metendo o bedelho nesse assunto. O pior acontece quando a menina é pobre. Você sabe, né, quem tem grana vai  para fora para abortar, enquanto a menina que mora en San Salvador (capital de El Salvador) provavelmente vai morrer em uma clínica improvisada em qualquer fundo de casa.

O que me mata são essas pessoas que acreditam que com a descriminalização do aborto vai virar festa. É muita ignorância. O que defendemos aqui é resultado de um trabalho de uma comissão Tripartite coordenada pela SPM (Secretaria Especial de Políticas para Mulheres). Não defendemos o aborto indiscriminado. Temos três pontos muito importantes ai. O borto só poderá ser realizado até a 12° semana de gestação, que é quando o feto ainda não possui atividade cerebral. Se for fruto de um estupro, a mulher teria direito a realizar até a 20° semana de gestação e se a gestante correr algum risco de vida, poderá ser realizado a qualquer momento. Defendo o direito das mulheres poderem escolher o que é melhor para elas. Defendo sim o uso do anticoncepcional e mais ainda, defendo a ideia de que educação sexual tem que ser dada desde o ensino fundamental em todas as escolas do Brasil.

 Mas acho que vale ressaltar que a legalização do aborto e ele em si são coisas diferentes. A legalização significa reconhecer que a mulher é dona de sua própria vida, é soberana. É um direito. Cabe a ela decidir se quer ou não fazer. E ai, só sabe quem passa por isso.´


Aqui vai um videozinho de um grupo CFEMEA que achei bacana reproduzir.

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Hipocrisia, a gente se vê por aqui!

20 Out

Na última segunda-feira (17) o movimento Ocuppy Wall Street completou um mês. Com o grito de “Somos 99% do sistema”, os que por ali se encontram  (jovens endividados devido ao escraboso valor dos créditos estudantis, desempregados, pessoas que perderam suas casas com os altíssimos juros das hipotecas, enfim, todos aqueles que sofrem com a maior crise desde a Segunda Guerra Mundial) tentam expressar a ideia de que apenas 1% da população está tirando vantagens dessa situação.

Explodindo cultura e agregando diferentes tipos da sociedade norteamericana eles estão ali propagando uma verdade. Verdade que a todo momento tenta ser calada, mas não há como negar. Quem por ali se encontra por ali, seja acampando ou passando o dia, chama atenção para as desigualdades e o bárbaro colapso da economia dos EUA.

Mas sem delongas sobre o movimento em si. Acho que você já deve estar careca de saber  o que está acontecendo por lá. (  Uma boa dica é o discurso do filósofo  Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento).O que eu quero mostrar aqui é esse pequeno documentário que traduz perfeitamente a que penso quando digo ‘falar do outro é fácil, não?’.

Se o governo norteamericaono defende o direito dos povos árabes de se insurgirem, como tantas vezes Hillary Clinton e Obama defenderam, como explicam essa repressão absurda a um movimento sem líderes  que surgiu para protestar de forma pacífica contra o sistema capitalista e a favor da liberdade e da democracia?

Assista e depois me fale. É ou não é a danada da hipocrisia?

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